Azul da Prússia: nova peça de Alexandre Ribondi traz memórias da ditadura. Espetáculo entra em cartaz no Teatro Brasília Shopping em janeiro e traz improvável encontro geracional que discute memórias da ditadura com lirismo e humor

Inspirado pelo momento de crise política e de representação no país, o ator e diretor Alexandre Ribondi escreveu e abre 2017 apresentando “Azul da Prússia”. A peça faz curta temporada de dois finais de semana no Teatro do Brasília Shopping e apresenta um encontro improvável entre um morador de rua e um jovem perdido na noite da capital federal. O diálogo que segue é surpreendente e revelador, pois de forma lírica, bem humorada e distante do discurso panfletário, traz memórias da ditadura militar.

​“Como nós estamos vivendo momentos de muita incerteza no país – incerteza política, incerteza econômica, é muito bom a gente voltar a falar da época da ditadura brasileira”, recorda Ribondi, completando: “uma das personagens lê um diário onde há passagens do dia-a-dia na ditadura… Porque o ruim da ditadura, que ninguém para pra pensar nisso, é o dia a dia… É cada dia. Cada olhar de rabo de olho na rua, cada carro de polícia que passa. Isso é muito difícil”. No entanto, ele ressalta que “por mais atroz que tenha sido, essa ditadura envolveu pessoas que você gosta, que você ama, a casa onde você morou e que foi invadida, mas que continua na sua memória sendo uma casa muito bonita”.

O título da peça, Azul da Prússia, é sobre uma tonalidade de azul inexistente na natureza, criada em laboratório, e cuja produção envolve elementos altamente tóxicos. Dentre eles está o ácido cianídrico, ou ácido prússico, descoberto pelo cientista sueco Carl Wilhelm Scheele em 1782, a partir da decomposição da própria cor. Este elemento foi usado como arma química na 1ª Guerra Mundial e nas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. “Aqui eu uso a cor para falar dos lábios de pessoas mortas”, explica Ribondi.

Além de autor, Ribondi dirige a peça e interpreta a personagem do morador de rua, dividindo o palco com o ator da nova cena de Brasília Matheus Silva. “É uma grande honra estar trabalhando com o Ribondi. Quem fez parte da oficina dele sabe como ele é, sabe do aprendizado que a gente leva não só no teatro, mas na vida… Então realmente é uma honra para mim”, conta Matheus, que atua há cinco anos e fez duas montagens acadêmicas com o diretor: “O Colecionador de Pombos” e, mais recentemente, “Um Jantar com Caim”.

Apesar da densidade do tema, ao retratar um drama vivido coletivamente pelo país, a peça promete momentos de ótimas risadas e boas reflexões, surgidas no encontro, em uma suposta parada de ônibus de Brasília.

“A ditadura ainda pode estar no coração de quem passou por ela. Como é que isso pode interferir no relacionamento de uma pessoa que a viveu com quem não a viveu é o que faz minha personagem durante a peça ao falar sobre o tema para uma pessoa bem mais nova. Ele mostra o que aconteceu com ele, com a vida dele e com a alma dele por tê-la vivido”, arremata Ribondi.

Serviço

Espetáculo: “Azul da Prússia”
Local: Teatro do Brasília Shopping
Data e hora: 20 a 29 de janeiro de 2017 (sextas, sábados e domingos, sempre às 20h)
Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia)

Ficha Técnica

Autoria e direção: Alexandre Ribondi
Assistência de direção: Elisa Mattos
Elenco: Alexandre Ribondi e Matheus Silva
Assistência de produção: Morillo Carvalho
Desenho de luz: Leonardo Gomes
Fotos de divulgação: Thiago Barreto (em anexo e no corpo do e-mail*)
Produção: Desvio Produções Culturais